“Para conquistar coisas importantes, devemos não apenas agir mas também sonhar, não apenas planejar mas também acreditar.” A frase é do renomado escritor francês Anatole France, vencedor do Nobel de Literatura, em 1921. Ele era conhecido por ser um crítico feroz dos costumes e instituições de seu tempo, mas também pela paixão por seu país. Tanto, que adotou o pseudônimo “France”, em substituição ao nome verdadeiro, Anatole Jacques Thibault.

Recordei-me desta citação, ao assistir a abertura das Olimpíadas Rio-2016, na última sexta-feira (5). Diante de tanta beleza, que retratava a rica cultura e a diversidade do povo brasileiro em suas múltiplas representações, pensei: “não é que Lula sonhou, acreditou, planejou e o Brasil realizou?” Assim como Anatole France, o ex-presidente é um apaixonado por sua terra e foi este sentimento que o impulsionou a lutar e nadar contra a correnteza, a fim de trazer para o país a maior festa mundial de confraternização entre os povos.

Em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, após mais de 70 anos sendo preterido, o Brasil conquistava o direito de sediar os Jogos Olímpicos. A primeira candidatura frustrada foi para as Olimpíadas de 1936, quando não obtivemos nenhum voto. Depois, ainda vieram outras duas derrotas, para os Jogos de 2004 e 2012. Agora, além de sediar a primeira Olimpíada realizada na América do Sul, entramos para o seleto grupo dos países que, em um prazo de dois anos, receberam a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, junto com o México e a Alemanha.

Não que fechemos os olhos para os problemas, como a criminalidade, falhas na infraestrutura e crise financeira – mesmo porque a grande mídia não deixa de ressaltá-los. Mas “atire a primeira pedra” a nação não os tem, não é mesmo? Aqui, assaltos, arrastões e goteiras em alojamentos. Acolá, guerras civis, atentados terroristas e atiradores insanos. Problemas à parte, não há como negar que, contrariando os prognósticos da “turma do quanto pior melhor”, os Jogos Olímpicos estão sendo um sucesso, em diferentes aspectos.
Os frutos já estão sendo colhidos e ainda o serão por muito tempo. Melhorias nos meios de transporte do Rio de Janeiro, movimentação da economia, com o grande afluxo de turistas e um “boom” na área da construção civil, aumento do aparato de segurança; mais investimentos no esporte e valorização dos atletas, entre muitos outros. Os benefícios foram apontados pela agência internacional de classificação de risco Moody’s, cujo estudo divulgado em maio considerou que o evento acarretará melhorias duradouras na infraestrutura, bem como um aumento temporário na arrecadação de impostos.
A maior das conquistas, porém, não está na área econômica, mas na divulgação e reconhecimento internacional de nosso país, bem como no aumento da autoestima do povo brasileiro. Lula já vislumbrava isso, quando, após a vitória na disputa com Tóquio, Chicago e Madri, afirmou que as Olimpíadas seriam importantes para que o povo brasileiro superasse o “complexo de inferioridade”.

Lula se referia ao chamado “complexo de vira-latas”, termo usado para designar o hábito de muitos brasileiros de achar melhor o que vem de fora. Mas nestas Olimpíadas, provamos o contrário: que nos orgulhamos de nossa nação e somos capazes de fazer igual ou ainda com mais maestria. E, assim, encantamos o mundo.

Sim, devemos esta conquista a Lula. Além da habilidade para “vender” aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) as qualidades do Rio e do Brasil, pesou muito para a vitória o cenário favorável do país naquele período. O então presidente tinha a popularidade em alta, com 84% de aprovação, o clima era de estabilidade política e econômica e vivíamos grandes avanços sociais. Outro fator fundamental foi o reconhecimento da liderança internacional do Brasil, sob a presidência de Lula, sobretudo na América Latina, mas também mundialmente, com a consolidação do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do planeta.
.
Após a vitória em Copenhague, o Governo Lula cuidou de todo o planejamento e deu início às obras de infraestrutura, cujo projeto teve a devida continuidade no Governo Dilma. Desde o início, foram inúmeras as previsões de que o evento seria um fiasco, assim como fizeram na Copa 2014. Quem não se lembra do “não vai ter Copa”? A culpa, é claro, era do PT.

Pois eis que deu certo. E não é que agora o governo golpista do interino se arvora em receber os louros? Não vai conseguir. Brasileiros e estrangeiros já mostraram que não se deixam enganar. Nos jogos e disputas de praticamente todas as modalidades, não faltou criatividade para dizer em alto e bom som: “Fora Temer!” Alguns foram até presos por isso, em atos arbitrários, dignos de governos de exceção.

Por sinal, outro importante ganho com o evento foi que os brasileiros puderam enviar ao mundo um recado: não compactuam com o golpe. Ficou evidente, também, que Michel Temer está cada vez mais acuado. Fugindo dos protestos, ele discursou por míseros dez segundos na cerimônia de abertura, sem sequer ser anunciado. Nem assim pode evitar as vaias.

Não adianta, Temer. A Rio-2016 é uma conquista que usurpador nenhum poderá roubar. Conquista do ex-presidente Lula, que sonhou, acreditou, planejou e realizou. Da presidente afastada, Dilma Rousseff, que deu prosseguimento aos preparativos. De todos aqueles que trabalharam e trabalham para que o evento seja realizado; dos operários, aos atletas.

Sobretudo, esta é uma conquista dos brasileiros. Mais do que shows de luzes, pirotecnica e música, são eles que abrilhantam estas Olimpíadas, com sua dignidade, alegria, simpatia, talento e criatividade. Como declarou Lula, recentemente, “a medalha mais importante que podemos ganhar é mostrar ao mundo que somos cidadãos de primeira classe, que gostamos de respeito e que não devemos nada a ninguém.” Parabéns, Brasil!

Artigo do deputado Durval Ângelo publicado no site Pautando M8inas