Como desdobramento do Ciclo de Debates Resistir Sempre, Ditadura Nunca Mais, promovido este ano pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Comissão de Direitos Humanos vai discutir a ocorrência, em Minas Gerais, de atentados terroristas cometidos por grupos paramilitares de extrema direita, na época da Ditadura Militar, implantada em 1964. Um desses atos foi um incêndio ocorrido na ALMG. A audiência pública será na quarta-feira (21/5/14), às 9 horas, no auditório. O pedido para a realização do encontro foi do deputado Durval Ângelo (PT).

De acordo com o parlamentar, em setembro de 1980, o Jornal Movimento publicou matéria na qual demonstrava que atentados se tornaram uma ação sistemática de repressão do governo frente ao crescimento da luta de massas contra a ditadura no fim do regime. “Com dificuldades de agir de forma encoberta e sem controle, promovendo prisões, torturas e assassinatos, o regime passou a adotar ações armadas contra pessoas e organizações”, afirmou Durval Ângelo.

Os números de registros de atos terroristas demonstram um crescimento ao longo dos anos de ditadura. Entre 1971 a 1975, nenhum fato foi registrado, mas houve oito ocorridos em 1976; seis em 1977; 19 em 1978; 10 em 1979; e 29 em 1980. De acordo com o deputado Durval Ângelo, os atentados prosseguiram nos anos seguintes e ocorreram em praticamente todo o País, principalmente no Distrito Federal e em sete Estados, entre eles, Minas Gerais.

Convidados – Foram convidados para a reunião a integrante da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Maria Cardoso da Cunha; o procurador da República do Ministério Público Federal, de Santa Maria (Rio Grande do Sul), Ivan Cláudio Marx; o procurador Regional da República de Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal, em Minas Gerais, Edmundo Dias Netto Junior; o coordenador da Comissão da Verdade no Estado, Antônio Ribeiro Romanelli; o membro da Comissão da Verdade em Minas Gerais, Alberto Betinho Duarte; o ex-deputado estadual Milton Lima; e a integrante do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Heloísa Greco.

Também foram chamados para participar da audiência pública o fundador do jornal De Fato, Aloísio Morais Martins; o jornalista e chefe da sucursal do extinto Jornal Movimento, Antonio Luiz Bernardes; o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Dídimo Miranda de Paiva; a ex-esposa do advogado Geraldo Magela Regina Andrade Almeida; o ex-deputado federal Mário Genival Tourinho; o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) Raimundo Cândido Júnior; o diretor, ator e dramaturgo Jota D’Angelo; e o ex-diretor da sucursal do jornal Em Tempo Juarez Rocha Guimarães.