A requerimento de autoria do deputado Durval Ângelo (PT), a Assembleia Legislativa homenageou, na última segunda-feira (30), o escritor mineiro Murilo Rubião. Em Reunião Especial de Plenário, foram celebrados os 100 anos de nascimento do autor, um dos maiores ícones da literatura brasileira. Tido como o primeiro contista nacional do realismo fantástico, Murilo Rubião deixou como legado uma obra intensa e singular. Entre outras realizações importantes, foi fundador do Suplemento Literário de Minas Gerais.

A Reunião Especial contou com as presenças do secretário de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo e do diretor geral da Imprensa Oficial de Minas Gerais, Eugênio Ferraz. O presidente da Comissão de Cultura da Assembleia, deputado Bosco (PTdoB), representou o presidente da Casa, Adalclever Lopes (PMDB).

Em seu pronunciamento, Durval Ângelo destacou a relevante biografia do escritor e sua militância política. “Murilo Rubião criou uma verdadeira trincheira de resistência cultural ao regime militar na década de 1960”. O dramaturgo Sérgio Abrita emocionou a todos, com a leitura dramática de um conto de autoria do escritor. Placa comemorativa pelos 100 anos do escritor foi entregue à sobrinha dele, Laura Lustosa Rubião.

As comemorações do centenário de Murilo Rubião prosseguiram durante a semana. Na quarta-feira (1º), também a requerimento do deputado Durval Ângelo, a Comissão de Cultura promoveu uma audiência pública, no Auditório da Assembleia, a fim de debater a literatura, a política e o serviço público na perspectiva de Murilo Rubião.

Audiência pública

Um dos maiores representantes do realismo fantástico na literatura do Brasil e da América Latina. Assim, o doutor em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roniere Silva Menezes, definiu Murilo Rubião, durante a audiência pública. Menezes fez um histórico sobre a vida de Murilo Rubião, lembrando que ele tinha “obsessão” com a reescrita de seus textos. “É a sua forte marca. Murilo era um homem que estava sempre a reescrever a própria existência”, salientou.

O diretor do Suplemento Literário de Minas Gerais (SLMG), Jaime Prado Gouveia, destacou a história e a importância do SLMG, criado por Murilo Rubião, em 1966, como um espaço que abrigava, além de literatura, cinema, artes plásticas, teatro e música. Já o ex-diretor do Acervo de Estudos Literários e Culturais e do Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, Reinaldo Martiniano Marques, falou sobre o espaço dedicado a Murilo Rubião no Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, também uma criação do próprio escritor.

O escritor e servidor aposentado da ALMG, Francisco de Moraes Mendes, iniciou sua fala criticando o governo interino de Michel Temer, que teria como proposta a redução da atuação social do Estado Brasileiro e a privatização dos seus serviços. “É um momento muito oportuno falar de Murilo Rubião”, destacou, ao dar exemplos de contos que mostram a necessidade da presença de um Estado Democrático forte, que estaria sendo ‘ferido’ no atual momento da vida política brasileira, com o afastamento da presidenta eleita Dilma Rousseff.

“É preciso entender o papel de um escritor engajado e comprometido com o seu tempo, como foi o caso de Murilo. Hoje, discutimos aqui o direito à memória, um direito fundamental de nosso povo”, ressaltou o deputado.

 

Foto: Clarissa Barçante