A defesa do Estado Democrático de Direito, da cultura da paz e de valores como convivência fraterna, tolerância e capacidade de diálogo, bem como o respeito à natureza e à mãe terra – “Gaia” – constituíram a tônica do discurso do teólogo e filósofo Leonardo Boff, na tarde da última sexta-feira (7/8/15), no Salão Nobre da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos. Convocada a requerimento do deputado Durval Ângelo (PT), líder do Governo na Assembleia, a reunião teve por objetivo debater o tema “Democracia e participação popular e suas implicações para os direitos humanos”.

Ao longo de sua palestra, o principal convidado do encontro condenou “a onda de pessimismo, desalento, ódio e espírito de vingança” que têm pautado o cenário político nacional, atribuindo-os ao inconformismo de parte da sociedade que não aceita as políticas de inclusão social. Ao final do encontro, ele defendeu as conquistas sociais dos governos Lula e Dilma, disse que o cenário atual “é de crise, mas não de tragédia” e que a crise “purifica e permite um salto à frente”.

Depois, em entrevista à imprensa, disse que é preciso “sobrepor aos interesses partidários particulares o interesse público e coletivo da nação” e ressaltou que algumas manifestações são “perigosas, excludentes e até fascistas”. Para Boff, são inaceitáveis o desrespeito e as expressões obscenas dirigidas à presidente Dilma Rousseff.

Segundo Boff, “os preconceitos, a intolerância e o ódio” disseminados na sociedade evidenciam “conflitos e tensões de classe”. Logo no início de seu pronunciamento, o teólogo fez menção à recente entrevista do ex-ministro Bresser Pereira, do PSDB, à Folha de S. Paulo, segundo o qual em seus mais de 80 anos de vida nunca tinha visto, no País, tanto ressentimento e tanto ódio de ricos contra pobres. A causa disso, segundo o ex-ministro, seria a ascensão “dos que sempre viveram no andar de baixo” e que passaram “a ocupar espaços antes nunca ocupados”. “Os que eram invisíveis antes se tornaram visíveis diante de fatos novos de amplitude histórica em nosso País”, disse Boff.

O deputado Durval Ângelo afirmou que depois de 21 anos de ditadura militar, em que imperaram a tortura e o desrespeito aos direitos humanos, o País alcançou conquistas sociais importantes. Ele lamentou, porém, a intolerância, o preconceito e a radicalização, com ameaças ao estado democrático de direito.

O secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação e Cidadania, Nilmário Miranda, observou que a Constituição da República em vigor, de 1988, possibilitou grandes avanços sociais, como os direitos das mulheres e das crianças e adolescentes, agora ameaçados por grupos que querem “fazer o Brasil regredir ao século XIX”. Ele também ressaltou que o principal eixo do governo Pimentel é a participação popular.

A audiência pública contou, ainda, com as presenças do subsecretário da Secretaria de Planejamento e Gestão César Cristiano de Lima. Também presentes o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cristiano Silveira (PT), que presidiu a reunião, a deputada Marília Campos (PT) e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT).