A Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizaram nesta quinta-feira, dia 30 de abril, no auditório da Casa, audiência pública conjunta para debater a situação de ex-colônias de hanseníases no Estado.

Durante a reunião, servidores e pacientes relataram problemas nas instituições. Segundo a diretora da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Mônica Fernandes Abreu, o governo precisa atender cada colônia dentro das suas especificidades. Mônica também disse acreditar que a Fhemig desconhece os problemas das colônias de hanseníase e considerou que essa situação só vai mudar a partir do momento em que ela reconhecer a atuação de pessoas que, há anos, trabalham e lutam pelos direitos das pessoas com hanseníase. Ela também apresentou problemas com os uniformes para os pacientes.

Outro ponto reivindicado por Mônica foi a construção de espaços próprios para que os idosos com a doença possam ser assistidos pelo Estado, mas sem serem separados do convívio familiar. Segundo ela, apesar dessas áreas terem sido construídas, elas não foram utilizadas para o fim pretendido.

O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores de Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Eni Carajá Filho, apresentou problemas na Casa de Saúde Santa Izabel, em Betim (Região Metropolitana de Belo Horiznte),que deu origem à colônia Santa Izabel Segundo ele, a segregação existente no tempo em que a colônia começou suas atividades, em dezembro de 1926, era muito grande. De acordo com Filho, as várias colônias construídas no Estado, apesar de terem se constituído em grandes comunidades, separaram o paciente do convívio social.

O deputado Durval Ângelo (PT), que solicitou a reunião, lembrou que o histórico da doença é marcado pelo preconceito e a discriminação. Segundo ele, as colônias de hanseníase foram criadas para excluir as pessoas, tirando-as do convívio social. Ele ainda defendeu que o governo estadual tenha um abordagem diferenciada com os doentes e que a Fhemig crie uma diretoria específica para cuidar das colônias de hansenianos.

O parlamentar ainda afirmou que a saúde tem sido, nas últimas décadas, um dos grandes problemas sociais do Brasil. Apesar disso, ele considerou os avanços observados na área a partir da implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), o maior plano de saúde do mundo, de acordo com o parlamentar. Apesar do SUS ainda não ter sido implementado em sua totalidade, o parlamentar disse que o sistema, que é usado por 60% da população brasileira, alcança um nível de satisfação de 78%. O deputado também defendeu a aplicação de 12% dos recursos estaduais na área da saúde, que são previstos constitucionalmente.

O deputado também afirmou que vai levar as reivindicações para o governo.

Intersetorialidade – Para a diretora assistencial da Fhemig, Yara Cristina Neves Marques Barbosa Ribeiro, a questão das colônias de hanseníase é intersetorial, não se restringindo apenas à área da saúde. No caso da Casa de Saúde Santa Izabel, ela considerou que a estrutura do local é bem montada, dando suporte não apenas aos pacientes com hanseníase, mas para toda a comunidade do entorno. Nesse sentido, ela defendeu a valorização do atendimento de urgência e emergência e da reabilitação. Segundo ela, a Fhemig já iniciou as discussões a respeito da situação da comunidade.