O presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Pedro Bitencourt, suspendeu a demolição do Teatro Klauss Vianna. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (10/06), durante coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pelo Líder do Governo na Casa, deputado Durval Ângelo (PT) e o secretário de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo. O espaço estava com os dias contados e seria demolido para abrigar a sala de sessões do TJMG.

A coletiva foi acompanhada pelo presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, o presidente da Comissão de Cultura, deputado Bosco, o vereador de Belo Horizonte, Arnaldo Godoy, o presidente da Rádio Inconfidência, Tancredo Naves, e diversos representantes da classe artística, entre eles a integrante do movimento “Viva Klauss”, Maria Regina Fagundes Amaral.

Durante a coletiva, Durval Ângelo explicou que o teatro, que fica localizado no térreo de um prédio da Avenida Afonso Pena, no bairro Cruzeiro, era da empresa de telefonia Oi, mas que, por acordo entre a antiga gestão do Governo de Minas e o TJMG, foi desapropriado em favor do Tribunal para sua nova sede.

Com isso, o TJMG pretendia fechar o teatro, a partir de julho, para a construção de um auditório para abrigar as sessões do Órgão Especial e do Tribunal Pleno. “Fui procurado pela classe artística assim que a notícia de demolição do Teatro foi divulgada. Desde então entrei em contato com a antiga gestão do Governo de Minas para tentarmos reverter a situação, porém nem mesmo uma reunião eles concordaram em marcar. Assim que Fernando Pimentel assumiu o governo, a Secretaria de Cultura se prontificou a ajudar nas negociações com o TJMG. Realizamos diversas reuniões e duas audiências públicas na Assembleia para discutir alternativas. O presidente do Tribunal se sensibilizou com a causa e suspendeu a demolição do teatro”, afirmou.

Para o secretário de Cultura, a decisão de manutenção do teatro representa um momento único de integração dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em defesa da cultura. Ele destacou que Minas Gerais é um polo de dança com relevância no cenário nacional e internacional. “É com muita alegria que estamos aqui. O desembargador Pedro Bittencourt me pediu para transmitir essa notícia. Foi uma decisão tomada por ele e que demonstra a integração dos esforços dos três poderes”.

O secretário relatou que a presidência do Tribunal realizou um novo estudo e está buscando alternativas para a construção da sala de sessões do TJMG. O novo projeto indica a possibilidade de construção da sala em uma área na parte posterior do edifício.

A decisão do presidente do TJMG será apreciada em agosto pelo pleno composto por 120 desembargadores. O líder do governo acredita que todos serão favoráveis a permanência do teatro.

Após a coletiva de imprensa, foi realizada audiência pública conjunta da Comissão de Direitos Humanos e de Cultura para comunicar a classe artística a notícia.

História

O deputado Durval Ângelo (PT), líder de Governo, que solicitou a Audiência Pública, relembrou que, quando o Cine Teatro Metrópole foi vendido, no governo de Tancredo Neves, foi firmado um compromisso à época para a construção de um novo teatro. Isso tudo culminou, segundo ele, no compromisso das empresas de telefonia Telemar e, depois, a Oi, em manter o Teatro Klauss Vianna em funcionamento.

Crédito da Foto: Alair Vieira/ALMG