O líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado estadual Durval Ângelo (PT), classificou como um golpe a admissibilidade do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, no último domingo (17/04). Segundo o parlamentar, o impeachment como está sendo conduzido vai contra o que determina a Constituição Federal, na qual o afastamento de um presidente pode ocorrer somente quando há crime de responsabilidade. “As chamadas pedaladas fiscais não são crimes de responsabilidade, tanto que diversos prefeitos e governadores, como os ex-governadores de Minas, Aécio Neves e Antonio Anastasia, também fizeram e não foram afastados. O que vemos no Brasil é a tentativa de um golpe”, destacou.

Durval Ângelo lembrou que os deputados federais não justificaram seus votos em favor do impeachment devido as pedaladas fiscais, mas por motivos pessoais. “O Brasil está sendo criticado por toda a imprensa internacional pela votação na Câmara dos Deputados, o que vimos no domingo foi um grande circo, um espetáculo de horrores. Chegamos ao cúmulo de ter uma deputada votando pelo seu marido e pelo fim da corrupção e no dia seguinte o citado ser preso”, comentou o parlamentar ao destacar a prisão do prefeito Ruy Muniz, de Montes Claros, marido da deputada Raquel Muniz, que foi detido na segunda-feira (18/04), um dia após a votação, por fraude com recursos públicos da saúde.

Durval Ângelo acredita que a pressão popular vai ajudar a barrar a tentativa de golpe no Senado. “O Congresso não vai afastar a Dilma imediatamente, como alguns órgãos de imprensa mostraram. Ainda é preciso ver se a denúncia vai ser aceita pelo Senado. Acredito que a população terá um grande peso da decisão no Senado. O povo está vendo que estão tentando tirar uma presidente honesta para colocar no lugar um presidente do PMDB que está envolvido na Lava Jato até o pescoço e um corrupto notório como vice-presidente que é o Eduardo Cunha”.

O líder do governo informou que estão sendo programadas diversas atividades em Minas Gerais contra o golpe. Entre elas uma caminhada de Ouro Preto a Belo Horizonte no dia 22 de abril.