Objetivo é evitar agravamento da crise de emprego e renda na região

 

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente receberá a direção da Samarco para definir um cronograma de retomada das operações da mineradora, interrompidas após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (Região Central do Estado). O anúncio foi feito pelo subsecretário de Regularização Ambiental, Anderson Aguilar, aos deputados das Comissões de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A informação foi dada em audiência pública, realizada na quarta-feira (1º), na qual funcionários e autoridades mineiras e capixabas cobraram o reinício das atividades para evitar o aumento do desemprego. Ainda de acordo com o subsecretário, o Estado reconhece a importância da operação da Samarco para Minas Gerais, mas ponderou que os estudos com este objetivo estão sendo feitos com todo o cuidado técnico necessário.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, reforçou que a mineradora é a culpada pelo desastre e deve ser punida, mas que não pode ser destruída. Na opinião dele, as atividades da Samarco geram empregos e riquezas, tendo em vista que a mineração é o setor econômico mais importante do Estado. ”Precisamos cobrar agilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e, para isso, oferecer-lhe uma estrutura adequada. Todos os projetos de investimento dependem de licenciamento ambiental e isso deve ser feito de forma mais célere”, pediu.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior, fez coro à fala do secretário e completou que a paralisação afeta diretamente as cadeias produtivas de todo o Estado. Segundo ele, os empregos diretos são mais que os 39 mil que a empresa considera em sua cadeia. “O problema é de engenharia e será resolvido. As propostas da empresa são viáveis e foram firmados todos os compromissos necessários. Defendo um grande pacto pelo desenvolvimento”, ressaltou.

Projetos de recuperação

O diretor de Projetos e Ecoeficiênca da Samarco, Maury de Souza Júnior, apresentou todas as ações adotadas pela empresa desde o rompimento da barragem, em 5 de novembro. Em sua exposição, ele afirmou que os acessos às comunidades foram desobstruídos; sete pontes danificadas foram reconstruídas e liberadas; 68 casas foram reformadas e, até final de julho, todas as casas de Barra Longa, cidade mais atingida, serão recuperadas.

Além disso, segundo ele, 26 estabelecimentos comerciais estão sendo reformados, foram retirados 125 mil m³ de lama de Barra Longa e foi definida a área onde será construído o novo distrito de Bento Rodrigues. O diretor da empresa informou ainda que são 3.300 pessoas trabalhando ao longo do trecho afetado.

“Produtores rurais têm sido fomentados e animais atendidos. Foram concluídos três diques de contenção e, ao contrário do que vem sendo noticiado, não estão vazando mais rejeitos no Rio Doce”, garantiu Maury Júnior. O executivo lembrou que a empresa está reforçando as estruturas de barragens remanescentes.

Maury Júnior acrescentou que a mineradora distribuiu quase sete mil cartões de auxílio financeiro a famílias, pescadores e ribeirinhos; reformou escolas; priorizou a mão de obra local para atuar em planos de recuperação; e não realizou nenhuma demissão, além de manter os salários líquidos dos funcionários. “Mas se a Samarco continuar paralisada, os empregos serão cortados”, lamentou, reforçando que a empresa representa 1,5% do PIB mineiro e 1% das exportações do Brasil. “São mais de três mil empregados e 39 mil postos de trabalho na cadeia produtiva”.

Ao frisar que o abastecimento de água foi restabelecido em todas as cidades impactadas pela tragédia, o diretor explicou que a qualidade do rio seria a mesma observada em 2010 e que são monitorados 113 pontos no rio e 29 no mar, para análise do nível de resíduos sólidos na água.

“Foi assinado compromisso com os governo federal e de Minas Gerais e Espírito Santo para recuperação social, ambiental e econômica, por meio de fundação, que começa a funcionar no dia 2 de agosto”, salientou. Por fim, Maury Júnior garantiu que a retomada das operações será feita de forma segura.

Autoridades fazem apelo

O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado estadual José Carlos Nunes (PT-ES), disse que é preciso separar a responsabilidade sobre os danos que a empresa causou e a retomada das operações, de forma a evitar desemprego e queda na renda. Ele contestou Maury Júnior e disse que cerca de 1.300 pessoas terceirizadas foram demitidas somente no Espírito Santo. Para tanto, sugeriu a criação de uma mesa nacional que envolva os dois Estados afetados e os Ministérios Públicos estaduais e federal.

O secretário de Obras e Planejamento de Mariana, Milton Godoy, também se pronunciou favorável à volta das operações, tendo em vista que a cidade estaria perdendo as verbas arrecadadas por meio da Samarco. Ele relatou que o município está vivendo das arrecadações sazonais de início de ano, mas que o cofre se esvazia neste mês. “A volta das operações é determinante para que haja o reequilíbrio das contas públicas. Defendemos a segurança e a responsabilidade, mas a retomada deve ser imediata”, ponderou.

 

Foto: Ricardo Barbosa